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Antes de contratar15 DE SETEMBRO DE 2026 · 6 MIN DE LEITURA

Exame admissional: o que levar, quanto tempo leva e o prazo que ninguém respeita

A maior parte das viagens perdidas em clínica de medicina do trabalho acontece por falta de um papel. E a maior parte das contratações irregulares acontece por um dia de atraso.

Dra. Camila Sousa Ferreira
Responsável técnico · CRM-RO 9772

O exame admissional é o primeiro contato de muita gente com a medicina do trabalho, e costuma ser tratado como formalidade: a pessoa vai, faz, pega o papel. Só que ele tem um prazo que a lei define com precisão, uma lista de documentos que ninguém avisa, e um custo escondido que não é o preço do exame.

Este texto responde as quatro perguntas que mais chegam no nosso WhatsApp: quando fazer, o que levar, quanto tempo leva e quem paga.

Quando ele tem que ser feito

A NR-7 é direta: o exame admissional deve ser realizado antes que o empregado assuma suas atividades. Não é na primeira semana, não é antes do fim do mês, não é até a folha fechar. É antes de a pessoa começar a trabalhar.

Na prática é aqui que quase toda irregularidade nasce. O candidato é aprovado numa sexta, começa na segunda, e o exame fica para quarta porque a agenda apertou. Nesses três dias a empresa tem alguém trabalhando sem avaliação de aptidão — e se acontecer qualquer coisa nesse intervalo, a discussão deixa de ser sobre uma multa.

A regra dos 90 dias

A NR-7 permite que, a critério do médico responsável, sejam aceitos exames complementares realizados nos 90 dias anteriores. Quem acabou de sair de outro emprego com audiometria e exames de sangue recentes pode não precisar repetir tudo. Leve o ASO anterior e os resultados: em muitos casos isso encurta o dia e reduz o custo para a empresa. O exame clínico, esse é sempre novo.

O que levar no dia

  • Documento oficial com foto — RG, CNH ou a versão digital.
  • A guia ou o encaminhamento da empresa, com a função exata que a pessoa vai exercer.
  • Óculos ou lentes de contato, se usa. A acuidade visual é avaliada com a correção habitual.
  • O ASO anterior e os exames dos últimos 90 dias, se tiver.
  • Se houver audiometria: 14 horas sem exposição a ruído, o que inclui fone de ouvido no caminho.
  • Se houver exames de sangue: o jejum indicado no agendamento.

O item que mais falta é a guia da empresa com a função. Sem saber para qual posto a pessoa está sendo avaliada, o médico não tem como se pronunciar sobre aptidão — e não existe "apto genérico". Quando a guia não vem, a viagem foi perdida, e quem perde o dia é o candidato.

Quanto tempo leva de verdade

A avaliação clínica em si é rápida. O que consome o dia são os complementares — e, principalmente, o deslocamento entre eles. O roteiro clássico em Porto Velho é: clínica num bairro, laboratório em outro, audiometria num terceiro. A pessoa sai às sete e volta depois do almoço.

Esse é o custo que ninguém coloca na planilha. O preço do exame aparece na nota; o turno de produção perdido, não. Numa empresa que admite dez pessoas por mês, são dez turnos por mês.

Como fazemos aqui

Na ÁgilMed a avaliação clínica, a audiometria, o ECG, a acuidade visual e a coleta de sangue acontecem no mesmo endereço, e o ASO sai no mesmo dia. Uma visita, um turno.

Quais exames entram, além da consulta

Depende da função e dos riscos a que ela expõe. Quem trabalha com ruído faz audiometria. Quem trabalha em altura tem avaliação específica. Quem dirige profissionalmente tem exigências próprias. Não existe pacote único que sirva para todo mundo, e clínica que oferece um está vendendo exame a mais para uns e a menos para outros.

Quem define o quê

A lista de exames de cada função vem do PCMSO da empresa, que é elaborado por quem responde tecnicamente pelo programa — no caso das empresas atendidas pelo nosso grupo, a Real Life Engenharia de SSMA. A ÁgilMed realiza os exames que o programa determina e emite o ASO.

Quem paga

O empregador. A NR-7 determina que todos os procedimentos ligados ao programa sejam custeados sem ônus para o empregado. Candidato que está sendo cobrado pelo próprio admissional está sendo cobrado indevidamente, e vale dizer isso com tranquilidade a quem encaminhou.

O ASO, por sua vez, precisa ser comprovadamente disponibilizado ao trabalhador, em papel sempre que ele pedir. É documento dele também, não só da empresa.

Os três exames que pegam a empresa de surpresa

  1. Mudança de função com mudança de risco. Quando a nova função expõe a riscos diferentes, cabe exame — e ele deve ser feito antes da data da mudança, não depois. Promover alguém do administrativo para a operação sem exame é o esquecimento mais comum do RH.

  2. Retorno ao trabalho depois de 30 dias. Ausência igual ou superior a trinta dias por doença ou acidente exige exame clínico de retorno. O prazo conta afastamento, não benefício: quem ficou 31 dias afastado precisa do exame mesmo sem ter passado pelo INSS.

  3. Demissional dentro do prazo. É o mais esquecido dos três, e o que mais aparece em reclamação trabalhista depois. Sem ele, a empresa não tem como demonstrar em que condição de saúde a pessoa saiu.

Resumindo

  • O admissional é antes de começar a trabalhar. Não é depois.
  • Documento com foto e a guia com a função exata. Sem os dois, a viagem é perdida.
  • Exames dos últimos 90 dias podem ser aproveitados, a critério do médico.
  • Quem paga é a empresa, e o ASO é do trabalhador também.
  • Mudança de risco, retorno de 30 dias e demissional existem, e ninguém lembra deles.

Vai fazer exame e ficou com dúvida sobre jejum, repouso auditivo ou documento? Chame no WhatsApp antes de sair de casa — respondemos em minutos, e é mais barato para todo mundo do que descobrir na recepção.

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Conteúdo informativo. Não substitui a leitura da norma nem a avaliação do profissional responsável pela sua empresa.

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